“As flores não tem porquês; florescem porque florescem”
Seria
bom se também nós fôssemos como as plantas, que nossas ações fossem um puro
transbordar de vitalidade, de uma pura explosão de uma beleza que cresceu por
dentro e não mais pode ser guardada. Sem razões, por puro prazer.
“Pois
dever é isto: aquela voz que grita mais alto que minhas flores não nascidas -
os meus desejos - e me obriga a fazer o que não quero. Pois, se eu quisesse,
ela não precisaria gritar. Eu faria por puro prazer. Na minha agenda estão
escritos os desejos dos outros. Os meus desejos, não é preciso que ninguém me
lembre deles. Não precisam ser escritos. Sei-os de cor. De cor quer dizer no
coração. Aquilo que está escrito no coração não necessita de agendas porque a
gente não esquece. O que a memória ama fica eterno.” (Adélia Prado)
“Se
preciso de agenda é porque não está no coração. Não é o meu desejo. É o desejo
de um outro. Primeiro a obrigação, depois a devoção; primeiro a agenda, depois
o prazer; primeiro o desejo dos outros, depois o desejo da gente. Não é esta a
base de toda vida social?” (Rubem
Alves)
Só podem se entregar às delícias da contemplação
aqueles que fizeram as pazes com a vida e não se esqueceram dos seus próprios
desejos.O essencial é aquilo que, se nos fosse roubado, morreríamos. O que não pode ser esquecido. Quando o coração encontra aquilo que procurava, sente-se em paz.
Padre Airton Freire- Livro: Pelejas- As coisas essenciais
